(escrito no ano de 1918)

 

 

Nascido em 13 de junho de 1824 na cidade de Braunschweig, formou-se no ginásio, aprendeu e passou a exercer a profissão de comerciante. Por motivos familiares resolveu emigrar para o Brasil, e chegou a Blumenau no dia 2 de novembro de 1854, com sua esposa e o pequeno filho August, que tinha um ano de idade. Em sua companhia vieram os seguintes parentes de sua esposa Freiderike, nascida Bähr: o sogro Christian Bähr, 69 anos de idade; os cunhados Friederich Bähr com esposa e duas crianças, Wilhelm Bähr com esposa e uma criança, Christian Beck com esposa e duas crianças. Essas dezesseis pessoas fizeram a viagem da Alemanha para cá às expensas de A. Persuhn, que era abastado e pagou todas as despesas de passagem com recursos particulares.

Logo após sua vinda a Blumenau, adquiriu do Dr. Blumenau um terreno com 100 mogros, que hoje parcialmente pertence a seu filho mais moço Gustav Persuhn, e desmembrado em partes para os compradores Otto Jenrich, August Franke, Gustav Grassmann, Vva. Dietrich, Vva. Liesenberg e a Sociedade Recreativa Teutônia.

August Persuhn foi o primeiro habitante em Altona e foi durante 3 anos o último colono na margem direita do Rio Itajaí. Inicialmente e durante pouco tempo residia no galpão de imigrantes ao lado de Julius Baungarten na atual Itoupava Norte (“Lichtenburg” olaria casa Hertl), até que construiu, em novembro de 1854, no lado de altona, próximo ao barranco do rio onde hoje se encontra a estação ferroviária, a primeira residência, com a ajuda de seus parentes, após desflorestar uma parte da densa mata.

Não existia nenhuma ligação nesta mata virgem com os habitantes de Blumenau, e somente com canoa era possível conseguir alimentos de lá ou de Itajaí.

Quando anos mais tarde Persuhn comprou um boi para seu provisório engenho de açúcar, precisou 3 dias (hoje 1 hora) para trazê-lo da Velha para sua propriedade através de uma picada por ele mesmo aberta.

Enérgico, inteligente e perseverante, Persuhn adaptou-se logo às condições reinantes, ajudando a promover o desenvolvimento do povoado. Assim, foi um dos primeiros a alcançar o grande salto acima de Altona, e colaborou com o Dr. Blumenau na abertura de caminhos e noutras atividades. Após um incêndio que destruiu sua primeira residência, Persuhn construiu um edifício que existia até 1878, num pasto situado no outro lado de Teutônia, do qual hoje nada mais é visível. Apenas alguns pés de laranja sobreviveram às pessoas e casa.

No ano de 1866 viajou à Alemanha e regressou no dia 11 de dezembro do mesmo ano em companhia das famílias Heirich Lieberoth e Albert Lauth.

A faina nos primeiros anos de vida em colônia, a alimentação imprópria, ora escassa ora insuficiente, sob a qual sofriam sobretudo as mulheres com suas crianças, minaram a saúde de sua habilidosa e diligente esposa; e ela faleceu no dia 16 de novembro de 1868 em Altona – uma silenciosa heroína cumpridora de seus deveres, a primeira pioneira da cultura da localidade.

Dos filhos do feliz matrimônio aqui ainda vivem: Gustav Persuhn, August Persuhn (Rio do Texto) e Otto Persuhn (Itoup.).

Após a abertura do caminho, e posteriormente a construção da estrada principal de Blumenau para o interior do município, passando por Altona, construiu Persuhn em 1878 a casa de madeira ainda hoje existente,que mais tarde foi a primeira cervejaria de Otto Jenrich e em seguida o museu de ciências naturais. Nesta pequena casa A. Persuhn mantinha um pequeno comércio de escovas, vassouras, revistas e livros importados da Alemanha, e ao mesmo tempo uma hospedaria.

A enchente de 1880 destruiu mercadorias existentes no valor de vários contos.

A pequena hospedaria sendo, depois da venda e botequim de Stein a única, oferecia pousada a muitos imigrantes em viagem de ou para Blumenau, que encontravam amigável atendimento,sempre bons conselhos e informações acerca das condições locais. Destarte Persuhn era bastante conhecido e estimado pela população. Não aparecia muito em público; sua índole e caráter tranqüilo não se adaptavam em querer se sobressair.

Ao anoitecer chegavam frequentemente pessoas conhecidas e amigas à sua casa, que durante muitos anos ali se reuniam jogando amistosamente o Skat.

No ano de 1887, August D. Persuhn casou com a Vva. Maria Lieberoth. Manteve ainda a hospedaria até 1891, no atual museu, aonde sua esposa, muito procurada estimada como primeira modista profissional , confeccionava redes artificiais usadas nos cabelos das nubentes. Deste matrimônio não tiveram filhos.

Os últimos dias de sua vida August D. Persuhn passou na atual residência de O. Jennrich, construída por Heinrich Lieberoth em 1882, em sossegado recolhimento, vindo a falecer no dia 11 de junho de 1895 com a idade de 71 anos.

Durante 41 anos Persuhn conviveu no íntimo círculo de altona, contribuindo decisivamente para o progresso do lugar.

 

Honre sua memória!

 

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