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PELE E ALMA RUBRO-NEGRA

Júnior. Seis letras
gravadas em
vermelho e preto na memória da Nação Rubro-Negra. Leo, para seus
companheiros. Maestro, para os que reverenciam a bola bem jogada. Mas para
trinta e cinco milhões de rubro-negros será eternamente Júnior, ora
triangulando com Lico e Zico pela esquerda, ora alçando bolas para os vôos
de Gaúcho ou cobrando faltas perfeitas, mas sempre
dando lições de como honrar o Manto Sagrado sobre todas as coisas.

A mística da camisa do Flamengo atravessa gerações. Abrigou a febre de
Valido, a paixão de Gilberto Cardoso, o nascimento de Zico. Deu corpo à
fúria de Almir e
alma à loucura de Doval. Revelou Leandro, fez de Rondinelli um Deus e
acompanhou Geraldo em sua última morada.
Santo Sudário do sangue de Lico e Adilio derramado em Santiago. Mas a
Júnior foi entregue como
uma Benção: - Tomai e jogai, este é o
Manto Sagrado a ser honrado por vós.
E lá foi Júnior, de vermelho e preto, sua segunda pele, pregando pelos
campos deste mundo a palavra do futebol
jogado com amor.
O Manto Sagrado orgulhosamente apresenta Júnior, Leo, o Maestro: um
Imortal da Academia da Paixão Rubro-Negra.
- Júnior,
você cunhou a expressão
Pele Rubro-Negra quando voltou da Itália, em 1989. Hoje, passados quatorze
anos de sua despedida dos gramados, como está o sentimento que te une ao
Flamengo?
O sentimento pelo Flamengo é imutável. Quando
deixei o clube em 1984 sentia o mesmo que sinto hoje.
Com o passar do tempo fui percebendo o quanto nossa geração foi importante
para manter a nação rubro-negra como a maior do Brasil.Quantas
segundas-feiras de alegria pudemos proporcionar aos nossos torcedores e
quanto esse amor e essa paixão mobilizam as pessoas até hoje. Pena que
muitos dirigentes não tenham essa paixão dos verdadeiros torcedores.
- Você jogou com vários
modelos e marcas do Manto Sagrado, de 1972 a 1993? Qual deles é o seu
preferido?
A camisa utilizada da final contra o Liverpool é muito bonita mas as
rubro-negras sem propaganda da década de 70 são os verdadeiros Mantos
Sagrados.
- Sabemos que você mantém guardada a
camisa do Mundial. Você preservou camisas de outros jogos como recordação?
Eu tenho uma quantidade grande de camisas
guardadas das conquistas do Flamengo.Desde a primeira em 1974 até a do
Brasileiro de 92.
- Qual jogo você indica como aquele em
que o Flamengo atuou com maior raça, fazendo valer a força da camisa mais
do que a técnica?
No Flamengo, quando se vence um jogo de virada,
a história de a camisa ganhar o jogo vem à tona. Essa química entre
torcida, camisa e jogadores proporciona certos milagres que ninguém
consegue explicar.
O Flamengo x São Paulo na estréia do Brasileiro de 1982, é um exemplo
disso. Perdíamos por 2x0 e conseguimos a virada graças a força de nossa
torcida e de nossa camisa.
- Há um mistério em torno da camisa que
foi usada contra o Cobreloa em Montevidéu. O Flamengo vinha usando um
determinado modelo, e para o jogo no Uruguai apareceu com um modelo fora
do padrão que só foi usado naquele jogo. Você lembra qual o motivo?
Não me lembro deste episódio da camisa em
Santiago e nem em Montevidéu. Aqueles jogos foram marcados por tantos
lances extra-campo que esse detalhe acabou sendo esquecido.
-
Se você pudesse dar um recado a cada pessoa que veste a camisa do
Flamengo, torcedor ou jogador, o que você diria?
Não importa o modelo, nem o material, nem o
fornecedor, se branca ou rubro-negra.
O importante é sentir esse manto como se fosse, na verdade, a sua segunda
pele!!!!!!!
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