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O PENSAMENTO PEDAGÓGICO ANTIAUTORITÁRIO
Neste
capítulo do livro "Histórias das idéias pedagógicas"
de Moacir Gadotti, é comentado como Gerald Mendel, baseado na teoria
de Freud, iniciou os estudos sobre a autoridade e seus mecanismos de imposição,
principalmente a autoridade paterna. Para tanto, Mendel propôs a abertura
da escola para a política e tomada do local onde concentrava-se o poder
pelos jovens a fim de confrontar com o autoritarismo institucional.
Dentre os autores que seguem esta linha de pensamento pedagógico, foram
destacados:
Francisco Ferrer Guardiã (1859 - 1909) que tinha como objetivo abolir
da escola todo o instrumento de repreensão e violência, sua tarefa
seria preparar os futuros revolucionários, a ação pedagógica
que ele teoriza a existência da disciplina artificial que é regada
pelo autoritarismo cego, e uma disciplina natural que propõe encontrar
um consenso.
Alexander S. Neill (1883 - 1973) que tornou-se conhecido no Brasil, através
de seus livros "Liberdade sem medo", "Liberdade sem excesso",
"Liberdade no lar", Liberdade na escola" e "Amor e juventude".
Ele acreditava que a missão do professor era a de estimular o pensamento
da criança, que a dinâmica interna da liberdade se encarregaria
de proporcionar as mais ricas e variadas formas de vivência.
Carl Ransom Rogers (1902 - 1987), criou a "compreensão empática"
que seria o processo de criar um clima inicial, comunicar confiança e
esclarecer e motivar com coerência e autenticidade desenvolvido pelo educador
ou facilitador de aprendizagem.
Celestin Freinet (1896 - 1966) afirmava que na medida em que organizamos o trabalho,
teremos resolvido os principais problemas de ordem e disciplina: não
de uma ordem e uma disciplina formal e superficial, que não se mantém
senão por um sistema der sanções, previsto como uma camisa-de-força
que pesa tanto a quem recebe como ao mestre que a impõe.
E finaliza com Henry Wallon (1879 - 1962) que enfatizava que o desenvolvimento
da criança decorre em etapas, sendo cada etapa caracterizada por uma
tividade preponderante, ou conflito que a criança deve resolver. O desenvolvimento
acontece de modo descontínuo, uma vez que as crises evolutivas que resultam
na reestruturação da conduta infantil não são lineares
nem uniformes.
O
PENSAMENTO PEDAGÓGICO RENASCENTISTA
O
pensamento pedagógico Renascentista influenciou diretamente a educação
através da teoria heliocêntrica, defendida por Copérnico
(1473 - 1543).
Como fatos que favoreceram esse pensamento pedagógico, são citados:
as grandes navegações do séc. XIV, que deram origem ao
capitalismo comercial; a invenção da imprensa realizada por Gutemberg
; e a invenção da bússola que possibilitou as grandes navegações.
A educação Renascentista visava a formação do homem
burguês.
Como principais educadores Renascentistas, foram citados:
Vittorino da Feltre - que defendia uma educação individualizada,
o auto governo do aluno e a competição;
Erasmo Desídoro - para ele, o verdadeiro caminho deveria ser criado pelo
homem, enquanto ser inteligente e livre;
Juan Luis Vives - foi um dos primeiros a solicitar uma remuneração
para os professores;
François Rabeles - para ele o importante não eram os livros, mas
a natureza. A educação precisava primeiro cuidar do corpo, da
higiene, da limpeza, da vida ao ar livre, dos exercícios físicos,
etc;
Michel de Motaigne - ele acreditava que as crianças devem aprender o
que farão quando adultos;
Martinho Lutero - para ele a exaltação Renascentista do indivíduo
de seu livre arbítrio, tornara inevitável a ruptura no seio da
igreja. Iniciou a reforma Protestante, que foi considerada como a primeira grande
revolução burguesa.
O
PENSAMENTO PEDAGÓGICO POSITIVISTA
O
pensamento pedagógico positivista consolidou a concepção
burguesa da educação. Seu maior expoente foi Augusto Comte (1798
- 1857), que tem como principal obra o "Curso de filosofia positiva",
publicado em 1830 e 1842.
Comte combateu o espírito religioso, mas acabou propondo a instituição
do que chamou "religião da humanidade" para substituir a Igreja.
Segundo ele, a humanidade passou por três etapas sucessivas: o estado
teológico, durante o qual o homem explicava a natureza por agentes sobrenaturais;
o estado metafísico, no qual tudo se justificava através de noções
abstratas como essência, substância, causalidade, etc; e o estado
positivo, o atual, onde se buscam as leis científicas.
Herbert Spencer (1820 - 1903) discípulo de Comte, deixou de lado a concepção
religiosa do mestre e valorizou o princípio da formação
científica na educação.
Um dos principais expoentes na sociologia da educação positivista
foi Émile Durkhein (1858 - 1917), que considerava a educação
como imagem e reflexo da sociedade. A pedagogia seria uma teoria da prática
social.
Para os pensadores positivistas, a libertação social e política
passava pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, sob o controle
das elites. O positivismo nasceu como filosofia, portanto interrogando-se sobre
o real e a ordem existente, mas, ao dar uma resposta ao social, afirmou-se como
ideologia.
Segundo o autor, a expressão do positivismo no Brasil inspirou a Velha
República e o golpe militar de 1964. Segundo essa ideologia da ordem,
o país não seria mais governado pelas "paixões políticas",
mas pela racionalidade dos cientistas desinteressados e eficientes: os tecnocratas.
No Brasil, o positivismo influenciou o primeiro projeto de formação
do educador, no final do século passado. O valor dado à ciência
no processo pedagógico justificaria maior atenção ao pensamento
positivista.
Durkhein, ao contrário de Rosseau declarava que o homem nasce egoísta
e só a sociedade, através da educação, pode torna-lo
solidário.
Para Durkhein, a educação é a ação exercida
pelas gerações adultas sobre as gerações que não
se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e
desenvolver, na criança, certo número de estados físicos,
intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política no seu conjunto
e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO DO TERCEIRO MUNDO
O
pensamento pedagógico do Terceiro Mundo é originário de
experiências educacionais dos países colonizados, como os da América
Latina e os da África.
Na luta pela sua emancipação, estes países constituíram
uma teoria original. A Europa colonizou os dois continentes, dividindo territórios
e tornando estes países cada vez mais dependentes e subdesenvolvidos.
Os colonizadores combateram a educação e a cultura nativa impondo
seus hábitos e costumes e escravizando os nativos de cada região.
Na África, os colonizadores impuseram uma única língua
estrangeira a fim de catequizá-los e uni-las numa religião universal,
sendo que este programa não deu certo porque a tradição
européia era calcada no valor da palavra escrita, ao passo que a tradição
africana é dominada pela oralidade.
Nos anos 70, com a libertação dos países africanos, foram
feitas enormes campanhas de alfabetização, consideradas um fracasso
pelos europeus. Mesmo desacreditados, os africanos obtiveram grandes resultados.
Estas campanhas visavam a incorporação dessas massas num projeto
nacional e o fortalecimento do povo como animador coletivo da educação.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO LATINO AMERICANO
As
metodologias em uso nas escolas têm um enfoque verbalista, o professor
expõe idéias retiradas de livros, de onde o aluno retira todas
as suas percepções formais do saber.
A escolha assemelha-se a uma fábrica, onde o professor fala e o aluno
absorve as informações por aquele passadas.
Todas as instituições vinham com respostas prontas. Ao aluno basta
memorizar as informações.
Nos dias de hoje com a diversidade de informações, a comunicação
se tornou mais diferenciada entre as comunidades e também em relação
a natureza. As percepções visuais e sonoras são fundamentais
ao ato de conhecer.
A compreensão não vem depois da audição ou da visão,
a linguagem total introduz o homem num universo de percepções,
a percepção opera integrando os diversos sentidos.
A pedagogia da linguagem total leva ao prazer novo e motivador da aprendizagem,
o aluno está sempre querendo estimular suas sensações e
percepções.
Tanto alunos como professores para realizar a autêntica educação,
têm que se colocar em estado de comunicação intenso, indo
um em encontro ao outro.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO AFRICANO
A
cultura africana não se desenvolve de forma unitária em todo seu
território. As diferenças de níveis de cultura, explicam
os diferentes comportamentos frente aos movimentos de libertação.
Na África pré-colonial, não existiam escolas, mesmo assim
as crianças eram educadas, elas aprendiam fazendo e vindo em contato
com os mais velhos. Ouvindo as histórias dos mais velhos, aprendiam histórias
tribais e o relacionamento de suas tribos com outras. A educação
era portanto informal.
O sistema educacional na Tanzânia era cooperativo e não individual,
o conceito de qualidade e responsabilidade condizia com qualquer habilidade,
seja ela agropecuária ou ligada a atividade econômica.
Não se trata apenas de organização escolar ou de currículo,
os valores sociais são formados pela família, escola e sociedade,
ou seja, pelo ambiente global que envolve a criança.
Um povo iletrado não é necessariamente um povo ignorante, o conhecimento
pode ser passado de forma oral, de geração a geração,
mesmo sem a existência de escolas.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO ILUMINISTA
O
pensamento iluminista surgiu no século XVII, que se fortaleceu com a
Revolução Francesa, na época em que se buscava as liberdades
individuais, contra a escuridão da igreja e a prepotência dos governantes.
Na época do auge do Iluminismo, Jean Jacques Rousseau, inaugurou uma
nova fase na educação. Pela primeira vez, a educação
se tornou obrigatória, assim se fazendo escola pública, filha
da revolução burguesa, gratuita e para todos, mas ainda elitista,
pois poucos podiam cursar uma universidade.
A educação da época não deveria apenas instruir
mas também permitir que a natureza desabrochasse na criança de
forma livre, sem repressões, restringindo-se a experiências.
O iluminismo educacional representou o fundamento da pedagogia burguesa. A classe
trabalhadora tinha o mínimo de educação, pois a burguesia
ascendia sobre os ideais de liberdade. A liberdade para os burgueses consistia
em estar livre para a acumulação de riquezas, os intelectuais
da época , cultivavam a noção de liberdade na essência
do homem.
A liberdade e a igualdade eram nocivas para os burgueses, pois provocaria padronização
das classes.
A educação popular deveria fazer com que o povo aceitasse sua
pobreza.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO ROMANO
Roma
e na Grécia, são sociedades escravistas, onde o trabalho manual
não é valorizado, e o trabalho intelectual é considerado
trabalho da aristocracia, que consiste numa pequena parcela da sociedade, os
cidadãos livres.
Seus estudos eram na maioria das vezes humanistas, o que caracteriza o homem
em todos os tempos e lugares. Este estudo era dado na escola do "gramático",
que seguia algumas fases; ditado de fragmento do texto, memorização
deste, tradução da prosa em verso, expressão da mesma idéia
em diversas construções, análise das palavras e frases
e composição literária. Assim se instruía a elite
romana.
Para os escravos não era permitido o direito de estudar, eram tratados
como objetos, aprendiam a fazer arte nas casas onde serviam.
A sociedade romana era composta de grandes proprietários: patrícios,
grandes proprietários e plebeus, pequenos proprietários, que eram
excluídos do poder, do direito ao voto.
Na época áurea do Império, a educação estava
dividido em três graus: Escolas do ludi-magister, ministravam a educação
elementar; Escolas do gramático: correspondia ao que hoje se conhece
por ensino secundário; Estabelecimentos de ensino superior: era uma espécie
de universidade, onde se ensinava a retórica, o Direito e a Filosofia.
Os romanos impuseram o latim a numerosas províncias, conquistaram a Grécia,
que transmitiu a filosofia da educação aos romanos.
A filosofia era pouco difundida entre os romanos, e a pedagogia quando existe
é voltada para questões práticas.
Um nobre romano deveria aprender coisas sobre a agricultura, a guerra e a política.
Aos poucos a classe aristocrática cede lugar a pequenos comerciantes,
artesãos e para uma pequena classe de burocratas.
O Império sentiu a necessidade de escolas que preparasse administradores,
já que para a guerra não havia necessidade de escola, os quartéis
ou a própria guerra resolviam o problema. O Estado se ocupa diretamente
da educação, treinando supervisores-professores cujo regimento
se parecia com os militares.
A educação romana era utilitária e moralista, organizada
pela disciplina e justiça. Dessa forma os romanos conquistaram um grande
Império, fazendo escravos os povos por eles vencidos.
Nos
séculos XVI e XVII, a sociedade passou por mudanças significativas,
houve a queda do modo de produção feudal.
Na educação houve muitas mudanças, pois o que era ensinado
foi considerado obsoleto, alguns filósofos fizeram grandes descobertas
na área da educação, deram um novo ordenamento às
ciências.
Os principais filósofos que tiveram maior ascensão nesta época
foram:
- René Descartes, que escreveu o "Discurso do Método",
que consistia em quatro grandes princípios, tais como: jamais tomar alguma
decisão sem conhecê-la evidentemente como tal; dividir todas as
dificuldades quantas vezes forem necessários antes de resolvê-las;
organizar os pensamentos começando pelas mais simples até as mais
difíceis; e fazer uma revisão geral para não omitir nada.
- João Amos Comênio, escreveu a "Didática Magna",
considerada como método pedagógico para ensinar com rapidez. Dizia
que a escola ao invés de ensinar palavras, deveria ensinar o conhecimento
das coisas.
- John Loke, combateu o inatismo, dizendo que nada existe em nossa mente que
não tenha origem em nossa mente.
- Francis Bacon, divide as ciências e ainda diz que saber é poder
sobre tudo.
Na
educação grega era exigido que o ensino estimulasse as competições,
as virtudes guerreiras para estimular a superioridade frente os povos conquistados.
Os gregos deram enorme valor à arte, à literatura, às ciências
e à filosofia.
A educação do homem consistia na formação do corpo
pela ginástica e na da mente pela filosofia e as ciências, e na
moral pela música e pelas artes.
Poucos aprendiam a governar, pois apenas os livres, os que tinham propriedade,
pois os bem educados tinham de saber mandar e obedecer. Apenas os gregos livres
tinham acesso a educação e ao diálogo, já que a
educação naquela época, se dava através do diálogo.
A paidéia, educação integral, consistia na integração
entre a cultura da época e a criação de outra cultura recíproca.
Apesar da riqueza de conhecimento na educação, existia na Grécia
muitas diferenças entre os seus habitantes. Os espartanos davam mais
valor a ginástica e a educação moral, voltada aos interesses
do Estado. Enquanto os atenienses existia um interesse maior pela retórica
e para o exercício da política.
Os gregos eram educados através dos textos de Homero, que ensinava a
virtude, o cavalheirismo, o amor à glória. O ideal homérico
era de ser sempre melhor e conservar-se superior aos outros.
Sócrates, Platão e Aristóteles, exerceram grande influência
no mundo grego, não esquecendo dos sofistas que eram responsáveis
por ensinar a retórica.
O estudo era dividido em escolas que ensinavam desde a leitura do alfabeto até
a retórica e a filosofia, passando pela filosofia e a educação
física.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO CRÍTICO
Depois
de duas guerras mundiais, os existencialistas e fenomenologistas se perguntavam
o que estava acontecendo de errado com a educação.
Entre os maiores críticos, está o filósofo Louis Althusser
e os sociólogos, Pierre Bordieu e Jean Claude Passeron, cujas obras tiveram
grande influência no pensamento pedagógico brasileiro na década
de 70. Elas demonstraram o quanto a educação reproduz a sociedade.
Pensamentos dos principais idealizadores do Pensamento Pedagógico Crítico:
· Louis Althusser: A escola-família substitui o binômio
igreja-família como aparelho ideológico dominante. É a
escola obrigatória durante muitos anos, na vida do ser humano.
· Bordieu e Passeron: Para eles, toda ação pedagógica
é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição,
por um poder arbitrário. A ação pedagógica tende
à reprodução cultural e social simultaneamente.
· Baudelot e Establet: Empreenderam um estudo profundo do sistema escolar,
destruindo a representação ideológica da escola única.
Dizem que existe na verdade, duas redes escolares, a secundária-superior,
reservada para a classe dominante, e a primária-profissional reservada
para as classes dominadas.
· Jesus Palácios: Afirma que a escola não é nem
a causa, nem o instrumento da divisão da sociedade em classes.
· Walter Benjamin: Criticou o ensino nas universidades, onde predominava
a informação ao invés da formação.
· Basil Bernstein: Estudou a relação entre a língua
e as diferenças sociais. Dedicou especial atenção à
linguagem das classes trabalhadoras.
· Henry Giroux: Se dedicou ao estudo da sociologia da educação,
da cultura, da alfabetização e da teoria do currículo.
· Stanley Aronowitz: Analisa a teoria crítica e seus fundamentos.
· Carnoy: Defende a tese de que só os movimentos sociais, podem
tornar a escola mais democrática.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO MEDIEVAL
A
igreja cristã dá o ponto de partida para esse pensamento pedagógico.
Cristo foi um grande educador, popular e bem sucedido.
A educação do homem medieval ocorreu de acordo com grandes acontecimentos
da época entre eles a pregação apostólica no século
I, depois de Cristo.
A partir de Constantino, o império adotou o cristianismo como religião
oficial, e fez pela primeira vez a escola tornar-se o aparelho ideológico
do estado. Surge um novo tipo histórico de educação, uma
nova visão do mundo e da vida, as culturas precedentes foram substituídas
pelo poder de Cristo.
Foi criada uma educação par ao povo que consistia numa educação
catequética e dogmática e outra educação para o
clérigo humanista e filosófica teológica.
Os estudos medievais compreendiam, o Trivium (Gramática, dialética
e teórica) e o Quadrivium (Aritmética, geometria, astronomia e
música).
Maomé (entre 570 e 532), funda uma nova religião, o islamismo.
A doutrina de Maomé está contida no Alcorão, livro sagrado
dos muçulmanos. O Alcorão é a obra prima da literatura
árabe.
Da briga entre cristãos e árabes inicia um novo tipo de vida intelectual
chamada escolástica, que procura conciliar a razão histórica
com a fé cristã.
O maior idealizador desta escola foi São Tomás de Aquino, que
afirmava que a educação habita o educando a desabrochar todas
as suas potencialidades, operando assim a síntese entre a educação
cristã e a educação greco-romana.
Ao lado do clero a nobreza realizava sua própria educação,
seu ideal era o perfeito cavaleiro com a formação musical e guerreiro,
experiente nas sete artes liberais.
As classes trabalhadoras tinham a educação oral, transmitida de
pai para filho. A igreja não se preocupava com a educação
física, considerava o corpo pecaminoso. Os jogos ficavam por conta da
educação do cavaleiro.
Na Idade Média foram criadas as universidades de Paris, Bolonha, Saleno,
Oxford, Hedelberg e Viena.
Para muitos historiadores a Idade média não foi a idade das trevas,
da ignorância, como os ideólogos do renascimento pregaram, ao contrário
foi fecunda em lutas pela autonomia, com greves e debates livres. Discutia-se
a gratuidade do ensino e pagamento das professoras.
O que se constatou é que o saber universitário aos poucos foi
se elitizando, guardado em academias submetido à censura da igreja.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO BRASILEIRO
Graças
ao pensamento iluminista trazido da Europa por intelectuais e estudantes que
não tinham mais tantos laços com a Igreja, deram os primeiros
passos, embora tímidos, para as mudanças do pensamento pedagógico
brasileiro.
O pensamento pedagógico teve grande ajuda dos jesuítas, que difundiram
nas classes populares a religião subserviência, da dependência
ao paternalismo, características marcantes da cultura brasileira até
os dias de hoje.
O primórdio da educação brasileira foi Rui Barbosa, que
pregava a liberdade de ensino, a instrução obrigatória,
este se inspirou no sistema educacional da Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos.
No início deste século a educação teve grande interesse
nos movimentos anárquicos, tinham no seu pensamento que se não
ocorressem mudanças profundas na mentalidade das pessoas, a revolução
social desejada jamais alcançaria o seu objetivo.
Anos depois a educadora Maria Lacerda de Moura, que combatia o analfabetismo
, defendia a educação dos sentidos e o estudo do crescimento físico.
Dizia que era necessário declarar guerra ao analfabetismo, ao orgulho
tolo, à ambição, ao egoísmo, à prepotência,
assegurada pela autoridade do diploma e do bacharelado incompetente.
Em 1944, o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, inicia a publicação
da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, um precioso testemunho
da história da educação no Brasil, fonte de informação
para os educadores brasileiros até hoje.
Paulo Freire, foi o maior contribuinte da alfabetização de jovens
e adultos, que desenvolveu uma teoria pedagógica que envolvia a pesquisa
participante e os métodos de ensinar. O seu pensamento humanista e crítico
na história tem seus problemas e o educador tem de saber o que fazer
com elas.
Florestan Fernandes, defensor da escola pública, seu pensamento sociológico
criou um novo estilo de pensar sobre a realidade social. Já para Luiz
Pereira a solução dos problemas dentro da escola, depende da solução
dos problemas externos a ela, envolvendo o aspecto econômico e social.
Para Rubem Alves o educador se descobre como um ser vivo, onde as sensações
estão envolvidas com o seu trabalho. Para Antônio Muniz de Azevedo
a educação é um processo permanente de aperfeiçoamento
humano. Darcy Ribeiro analisou o ensino público, extinção
do 3º turno, aperfeiçoamento do magistério, implantação
de escolas integradas, onde a criança permaneceria mais tempo na escola,
com professores competentes e com orientação que a maioria não
encontram em casa.
Pode-se dizer que o pensamento pedagógico brasileiro, têm sido
definido por duas tendências gerais; a liberal e a progressista. Os educadores
e os teóricos da educação liberal defendem a liberdade
de ensino. E da educação progressista defendem a formação
de um cidadão crítico e participante. O pensamento pedagógico
brasileiro é muito rico e está em movimento.
O PENSAMENTO PEDAGÓGICO ORIENTAL
A
pedagogia surgiu como uma ciência que tem como objetivo estudar, analisar,
e sistematizar o conhecimento educacional.
Os valores da tradição, da não violência e da meditação
ligados a religião, foi onde firmou-se a transmissão de conhecimento
segundo o Oriente.
A educação primitiva fundamentava-se nos rituais de iniciação,
possuíam uma visão animista, que acreditava que tudo na natureza
possuía uma alma semelhante ao homem. A educação ocorria
de maneira espontânea e natural, não existia ninguém destinado
a ensinar porém todos de uma certa maneira contribuíram para os
ensinamentos, pois a educação provinha das imitações
e da oralidade.
A doutrina pedagógica mais antiga é o Taoísmo, uma espécie
de panteísmo no qual os princípios recomendam uma vida pacata
e tranqüila. Confúcio criou um sistema moral que cultuava os mortos
e que mais tarde tornou-se religião. Ele idealizava famílias patriarcas
onde o pai comparado a um governante centralizava todo o conhecimento desconsiderando
todo o saber e inteligência dos filhos.
A educação Hinduísta tendia para a reprodução
e contemplação da casta, dividem a mesma profissão bem
como a mesma religião, os casamentos são realizados entre si.
Exaltavam o espírito repudiando o corpo.
Aqueles que eram excluídos da sociedade, bem como as mulheres, não
tinham acesso a educação.
Os egípcios foram os primeiros a tomar consciência da importância
da arte de ensinar. Criaram casas de instrução onde ensinavam
a leitura, a história dos cultos, a astronomia, a música e a medicina.
Poucas informações deste período foram preservadas.
O povo que mais conservou informações sobre sua história,
foram os hebreus, deixando como herança para o mundo um conjunto de doutrinas,
tradições, cerimônias religiosas e preceitos que ainda hoje
são seguidos.
De maneira geral os ensinamentos primitivos ocorreram de maneira semelhante
entre muitos povos, marcados pela tradição e pelo culto aos velhos.
O tradicionalismo pedagógico é determinado por tendências
religiosas diferentes. Na comunidade primitiva a educação provinha
da própria comunidade, essa se dava através da vida e para a vida.
A criança aprendia no seu próprio dia a dia. Em fim a escola era
a própria aldeia.
A escola de hoje nasceu com a hierarquização e a desigualdade
social gerada por aqueles que se apoderam do excedente produzido pela comunidade
primitiva. Têm-se hoje na História da Educação a
marca da desigualdade econômica, onde encontra-se uma linha educacional
destinada aos exploradores e outra destinada aos explorados.