
Um Símbolo no Site
Uma característica dos seres humanos é a de sermos muito simbólicos. Nossos sonhos são abundantes em símbolos que relacionam muitas vezes imagens ricas a realidades emocionais importantes para nós naquele momento. Talvez a maioria das religiões tenha incorporado isso de um modo bastante intenso. Mesmo Allan Kardec e seus colaboradores contemporâneos, que condenavam o excesso e os desvios do simbolismo religioso, usaram algumas vezes de símbolos, como pode ser visto no início do Livro dos Espíritos (a cepa em "Prolegômenos").
Para este Site, escolhi um símbolo um pouco estranho. Uma chama negra. Na verdade, é assim que eu vejo o trabalho do crítico que (como eu) se põe a analizar algo que é objeto da vida e da riqueza emocional de outras pessoas (e na verdade de mim mesmo). É talvez uma luz; mas uma luz paradoxal: uma luz que traz escuridão. Escuridão e incerteza. E, às vezes, dor. É uma luz negra.
Nem sempre o conhecimento traz alegria e "céus abertos". E, muitas vezes, a alegria, os "céus abertos", e os horizontes brilhantes e iluminados, se estabelecem sob a luz da ignorância, do "não-saber".
Apesar disso, tenho muita confiança que o verdadeiro conhecimento, por mais que durante períodos mais ou menos longos (podendo chegar mesmo a séculos ou mais...) possa se manifestar como depressivo e desalentador, será sempre, no final do túnel, uma fonte reconfortante de luz, alento, entendimento prazeirozo, e harmonização saudável do indivíduo com o Universo.
Esta chama, do jeito que ela se apresenta no momento (mesmo para mim) dói. Posso dizer que toda vez que encontro algo que pareça remeter a conclusões (mesmo que temporárias) como "as comunicação mediúnicas não são confiáveis", "a vida após a morte não existe", ou "vivemos em um Universo sem Deus e sem nenhuma justiça dominante", sinto uma pontada de dor. Mas tenho sincera convicção de que, no final do túnel, de uma maneira ou de outra, as coisas serão diferentes.
Uma das orações mais bonitas que conheço é a música da cantora "profana" Madonna, dos Estados Unidos, "Like a Little Prayer" (Como Uma Pequena Prece). Ela fala um verso que, no meio dos acordes da música, me tocam de um modo especial à luz disso que falei nos parágrafos acima sobre a "chama negra": just like a dream, you are not what you seem; como um sonho, você não é o que parece... (no caso, ela está se referindo a Deus). No fundo, acho que essa luz negra é, paradoxalmente, bem igual ao que Madonna descreve nesse verso. Na verdade, bem mais luminosa do que pode a primeira vista nos parecer...
