Conclusões e Sugestões aos Homens e Mulheres de boa Vontade, Espiritualistas ou Materialistas
Uma coisa que é clara da leitura atenta das obras kardecistas é que há de fato erros em tais trabalhos. Erros dos espíritas da época, erros dos "espíritos", erros de Kardec, etc. O mais importante é que há erros nas informações que nos são comunicadas pelos "espíritos" através dos médiuns. A pergunta seguinte é: o que fazermos diante de tais erros?
A questão da morte, do fim da vida (e talvez da existência) de cada um de nós, é uma questão muito importante em termos humanos. A posição de alguns materialistas, que crêem que não há vida pós morte e que acham que nem mesmo se deve tentar estudar os pretensos fenômenos que embasam o mediunismo, é uma posição contraproducente e insensível aos apelos humanos de muitos de nós. É também, espantosamente, uma posição irracional por se negar a sequer analisar os fenômenos e os estudos realizados na área. Penso que, na verdade, apenas uma pequena minoria dos materialistas se encaixa nessa categoria irracional. Contudo ela existe, e exerce efeitos sobre a sociedade e sobre a comunidade científica. E isso é muito ruim. Da mesma maneira, a posição de alguns espiritualistas, que consideram que a vida pós morte já está plenamente demonstrada e que já temos condições inclusive de saber em minúcias como é tal vida, é também uma posição desprovida do devido embasamento factual-científico, indutora de erro, e igualmente ruim.
Quem deseje de fato estudar de modo científico a questão da "sobrevivência" (da sobrevivência da consciência humana ao fenômeno da morte física) deve atentar para alguns pontos cruciais. Nesse sentido, listo abaixo algumas sugestões para "os homens e mulheres de boa vontade", em especial kardecistas interessados no aspecto científico do Espiritismo Kardecista. Não se trata de uma lista completa, e sim apenas de algumas sugestões que penso sinceramente poderem ser valiosas:
1- É importante estarmos cônscios de nossos viéses pessoais, quer sejam eles viéses espiritualistas, quer sejam eles viéses materialistas, e tentarmos ao máximo evitar que tais viéses nos embotem o raciocíno. Viéses não são necessariamente ruins. Eles inclusive nos motivam, e isso é o elemento básico de qualquer investigação científica. Mas devemos estar atentos para eles.
2- É crucial buscarmos com afinco e estudarmos minuciosamente os argumentos de nossos opositores (materialistas ou espiritualistas). Existem muitos argumentos bons dos materialistas contra a possibilidade de vida pós morte, e boas críticas aos fenômenos espíritas e mediúnicos. Igualmente, existem bons argumentos a favor da hipótese da "sobrevivência" e bons estudos dos fenômenos dessa área. Recomendo fortemente aos espiritualistas que conheçam os argumentos céticos. Uma fonte inicial é o Dicionário Cético, já traduzido para o português e disponível online gratuitamente na internet (neste link). Infelizmente há muito de deboche e até de desrespeito em materiais como esses. Mas ainda assim recomendo fortemente que os adeptos de visões espiritualistas "respirem fundo" e mergulhem em tais materiais adversos, pois que a despeito dos excessos e descaminhos presentes neles, há também insumos válidos.
3- Ao encontrarmos uma determinada obra sobre o assunto da "sobrevivência" (vida pós morte), é importante tentarmos colher informações a respeito do autor, de sua credibilidade, das críticas que lhe são feitas e de como ele responde a tais críticas, se ele publica em revistas científicas respeitáveis, etc. Fiz isso em bom grau de profundidade com o pesquisador de reencarnação Ian Stevenson, por exemplo. Ninguém é de todo ruim ou de todo bom. O importante, portanto, e tentarmos conhecer o autor, em suas forças e fraquezas.
4- Há já uma literatura extensa sobre esse assunto, e é crucial tentarmos ler tais materiais. Dois livros que tratam do assunto de modo introdutório, racional e analiticamente, são "Immortal Remains" (de 2003), do filósofo e pesquisador psi (parapsicólogo) Stephen Braude, e o livro "Mediunidade e Sobrevivência" (de 1982), do pesquisador psi Alan Gauld. Tais obras são respeitadas mesmo por céticos ateus-materialistas, como Keith Augustine (autor de uma obra muito conhecida entre os céticos ateu-materialistas militantes que argumenta contra a hipótese de vida pós morte: O Caso Contra a Imortalidade - The Case Against Immortality - disponível online na internet). Isso não quer dizer que os céticos concordem com tais autores. Apenas que eles percebem que há neles qualidade digna de serem lidos com seriedade. Isso é muito importante. Um site interessante é o "The International Survivalist Society", no link abaixo:
http://www.survivalafterdeath.org/
5- A questão da "sobrevivência" (pós morte) é muito mais complexa, em termos empíricos e lógicos, do que se pode a princípio imaginar. Existem diversos aspectos biológicos, físicos, e mesmo teórico e filosóficos altamente, digamos, "ardilosos" que devem ser conhecidos. Um deles é a questão de se os fenômenos mediúnicos (todos eles) não seriam na verdade meramente fruto de telepatia somada a psicocinese e clarividência, e premonição também talvez, e aí haveria talvez tais poderes "paranormais" sem que contudo houvesse vida pós morte. Essa questão específica é abordada no link abaixo:
http://www.survivalafterdeath.org/articles/braude/superpsi.htm
6- Muitas questões ligadas ao problema da "sobrevivência" exigem um tratamento estatístico (assim como ocorre em diversas pesquisas científicas de outras áreas). É importante estar atento para isso, e conhecer algo desse assunto. Um artigo interessante é o de Jessica Utts (excelente e altamente respeitada estatística estados-unidense), que fala sobre estudos de telepatia, mas que pode ser aplicado a estudos com médiuns também. Neste link.
7- Apesar de pesquisas laboratoriais não serem as únicas aceitáveis em ciência, elas possuem contudo muitas vantagens para se testar e validar hipóteses. Considero fundamental que se tente fazer pesquisas laboratorias controladas com médiuns, e isso é algo relativamente raro. O pesquisador estados-unidense Gary Schwartz tem tentado isso. Pessoalmente não confio muito nos métodos dele (e nem nos resultados). Em todo o caso, é esse tipo de estudo que me parece ser necessário para avançarmos no conhecimento desses curiosos e importantes fenômenos.
Enfim, penso haver muito a ser estudado e desbravado nessa área, e assim como o espiritualismo tem alguns graves problemas a superar (enquanto hipótese científica), o materialismo também vai muito mais "mal das pernas" do que muitos imaginam... Nesse sentido, sugiro aos leitores interessados os três textos abaixo, onde, no primeiro, exponho alguns graves problemas lógico-empíricos do materialismo; no segundo, exponho algumas possibilidades interessantes da hipótese "vida pós morte"; e no terceiro, apresento em modo mais amadurecido os problemas lógicos do materialismo. Tratam-se de humildes contribuições, como todas da área. Mas, como todas, capazes de, talvez, contribuir positivamente para o debate e a investigação desses fenômenos e questões.
Primeiro Texto: As Dez Milhões de Maças Perdidas do Materialismo...
Segundo Texto: Vida Pós Morte: Por Quê Sim? Por Quê Não? - Parte
Um e Parte Dois.
Terceiro Texto: O Materialismo Viola a Lei da Conservação da
Energia e também viola o Neodarwinismo.