Yo No Creo En Brujas, Pero...

 

 

      Comentário inicial importante: Clique neste link para ler nota explicativa a respeito de minha posição extrema de considerar que a telepatia já está comprovada cientificamente.

 

      Durante os últimos doze meses (de junho de 2002 a julho de 2003), estive estudando e lendo muito sobre informações atuais em parapsicologia. Ao mesmo tempo, estive me informando ao máximo junto aos céticos nacionais e internacionais a respeito das possíveis falhas nas pesquisas parapsicológicas. O resultado de todo esse meu estudo é literalmente "assombroso".

      Basicamente, em termos estritamente científicos, a paranormalidade está mais do que comprovada. Ela "existe"! É um fato científico plenamente estabelecido.

      Os argumentos céticos contestando a paranormalidade são de uma debilidade inimaginável. E olhem que eu sou uma pessoa bastante comedida com relação a este tipo de afirmação. Por outro lado, o trabalho de alguns pesquisadores da paranormalidade (ou de "psi", como também é dito) como por exemplo Dean Radin e Jessica Utts, são de uma solidez e elegância simplesmente impressionantes.

      Observem que eu disse que a paranormalidade "existe", e que ela é um fato científico. Eu não disse que ela existe (sem aspas), ou que seja um fato do mundo real (como por exemplo, o Sol, ou o seu João da padaria). As verdades científicas, ao contrário das visões idealizadas transmitidas infelizmente muitas vezes pelos próprios cientistas, são freqüentemente bastante fugidias, acabando muitas vezes por serem revisadas e alteradas. Por exemplo, Einstein estava bastante confortável com sua idéia (errônea) de que suas teorias (relatividade especial e geral) não possuíam elementos que indicassem a possibilidade de voltar-se no tempo. E todos acreditaram nisso, durante longas décadas, incluindo muitos cientistas (físicos) de um brilhantismo inimaginável. Até que, na década de 50 (século XX) o lógico e matemático Kurt Gödel (amigo de Einstein) identificou que, para desgraça de Einstein (e talvez de todos nós), o retorno no tempo estava insidiosamente presente nas teorias do Grande Mestre. Se esse "infeliz revez" aconteceu com a teoria da relatividade, pode talvez acontecer também com a paranormalidade. Por quê não?

      Mas, por enquanto, para desgraça dos "céticos", a paranormalidade é fato científico, não importando se revistas científicas reacionárias como a Nature (e outras do gênero) aceitam isso ou não.

      Para os interessados em um conhecimento introdutório sobre o assunto, o grupo Inter Psi possui um excelente resumo sobre o tema, com o título "Perguntas Freqüentes sobre Fenômenos Psi.". Clique aqui para ir para este site.

      Dentre os fenômenos "psi" que parecem solidamente comprovados estão a "telepatia" e a "psicocinese" (no caso, psicocinese SE associada como uma contrapartida à percepção extra-sensorial; outras formas de psicocinese possuem um embasamento mais fraco).

     Os estudos sobre "Lembranças Espontâneas de Vidas Passadas", como os conduzidos por Ian Stevenson e alguns outros estudiosos, apresentam bastantes problemas. Por incrível que pareça, contudo, as críticas dos "céticos" são muito fracas e pessimamente embasadas. É uma afirmação científica bastante razoável dizer que os estudos de Stevenson e demais pesquisadores da área fornecem alguma evidência empírica da ocorrência de reencarnação. A evidência é fraca. Mas ela, de fato, existe.

      Outro ponto interessante são as Experiências de Quase Morte (EQM, ou, no inglês, NDE, Near-Death Experiences). Achar uma experiência deste tipo que ponha "em Xeque" as hipóteses materialistas é quase tão difícil quanto achar uma pepita de ouro na praia da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. No entanto, existem algumas poucas EQMs que são realmente bastante indigestas para a hipótese materialista.

      Aliás, em se tratando de ceticismo, parece bastante acertado dizer que "Quanto mais os céticos rezam, mais assombrações aparecem!". Recentemente, no site Ceticismo Aberto, foi incluída uma matéria dando indicações bem interessantes de que o pesquisador espiritualista William Crookes (do século XIX) teria talvez cometido alguns "deslizes" (fraudes) em suas pesquisas com a médium srta. Florence Cook. Um dos links indicados na matéria remetendo a informações adicionais indicava um site que falava também sobre o "paranormal" Daniel Douglas Home (também do século XIX), que foi testado por Crookes antes de Florence, e que foi também citado algumas vezes por Allan Kardec. As informações deste site reforçaram em mim a impressão de que Home era de fato um fenômeno inexplicável (e fartamente bem documentado, mesmos para os padrões atuais) dentro do que a ciência conhecia e dentro do que a ciência conhece, e de que até hoje mesmo os céticos mais competentes não conseguem entender como ele conseguia fazer as coisas que fazia. Cabe frisar também a mediunidade de Mrs. Piper. Se Home foi o "Rei da Psicocinese", Piper parece ter sido a "Rainha da Percepção Extra Sensorial".

      Um último ponto a comentar é o fenômeno da mediunidade conforme estudado em um ambiente mais, digamos, laboratorial. Há no momento um pesquisador dos Estados Unidos, Gary Schwartz da Universidade do Arizona, que parece (parece...) estar obtendo resultados interessantes em estudos cientificamente controlados com médiuns. Os próximos anos dirão se ele está de fato com a razão ou não em sua atual interpretação de que seus resultados indicam a sobrevivência da consciência humana ao fenômeno da morte física.

      Finalmente, o trabalho do perito em grafoscopia, Professor Carlos Augusto Perandréa, que estudou a psicografia de Chico Xavier durante muitos anos, é um capítulo todo especial para o embasamento da hipótese da sobrevivência pós-morte. Como eu já disse anteriormente, Perandréa identificou na psicografia de Chico Xavier elementos gráficos suficientes pertencentes ao suposto espírito da pessoa falecida para atestar a autoria gráfica como sendo da pessoa falecida. O trabalho de Perandréa possui, a meu ver, uma riqueza objetiva inestimável. Os materiais que ele utilizou para chegar às suas conclusões podem a qualquer momento ser re-analisados por peritos em grafoscopia para confirmação ou não de suas conclusões (assumindo, obviamente, que Perandréa, como qualquer pesquisador competente, mantém tais materiais). Adicionalmente, seu artigo científico publicado em 1990 (A Psicografia à Luz da Grafoscopia. Revista Semina, Vol. 11, Edição Especial, pgs.59/71, Universidade Estadual de Londrina, setembro/1990.) fornece tais materiais em um formato provavelmente já adequado para uma análise prévia dos experts da área.

      Conforme informei também anteriormente, eu cheguei a me oferecer para gratuitamente enviar cópia de tal artigo científico para as três instituições "céticas" com as quais tive contato no ano passado (Sociedade da Terra Redonda, Fórum Cético Brasileiro, e Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas) e simplesmente nenhuma solicitou o documento! O cético Ronaldo Cordeiro acabou aceitando receber o material (oferecido gratuitamente, é oportuno relembrar) após minha sexta insistência (dei-me ao trabalho de recontar cuidadosamente) em setembro de 2002.

      Bem, como então as auto-proclamadas instituições céticas não investigaram o caso, somos obrigados a fazê-lo por nós mesmos. A meu ver, a questão desses estudos de Perandréa se resume ao seguinte: A psicografia de Chico Xavier apresentava elementos gráficos dele próprio juntamente aos elementos gráficos do suposto espírito comunicante. Imaginemos que Chico Xavier tenha tido contato com algum texto manuscrito pela pessoa falecida. Seria talvez possível que ele, inconscientemente (sinceramente, não acredito na menor possibilidade de que Chico Xavier fraudasse conscientemente), gerasse um material "psicografado" que na verdade fosse uma espécie de fraude, mistura de grafismos seus com imitações dos grafismos da pessoa falecida? Seria possível que isso passasse pelo crivo de um perito de grande competência (como tudo leva a crer que Perandréa de fato é) como sendo um grafismo autêntico da pessoa falecida misturado ao grafismo do próprio Chico, conforme Perandréa atestou? É possível uma falsificação feita com grande competência (independente de ser feita conscientemente ou inconscientemente) iludir um perito de grande competência?

      Estou tentando entrar em contato com o professor Perandréa para lhe dirigir tais indagações. Gostaria de lembrar às instituições que desejem criticar tal trabalho e que sejam verdadeiramente céticas (e sérias!) que é aconselhável adquirirem o trabalho original, aliás bem baratinho, disponível junto ao pessoal do Núcleo Espírita Universitário da Universidade de Londrina, Paraná (NEU-LD). O site do NEU-LD é http://www.inbrapenet.com.br/neu/index.html, e informações iniciais a respeito do livro de Perandréa podem ser encontradas no link http://www.inbrapenet.com.br/neu/html/prefacio.htm.     

      Considero o NEU-LD como um grupo que faz um trabalho interessante no sentido de um espiritismo kardecista científico. Em seu site, pode-se tomar contato ou adquirir materiais interessantes sobre o assunto, em vários de seus aspectos.      


Nota sobre a cientificidade da telepatia: algumas pessoas por vezes têm me criticado por eu dizer que a telepatia está cientificamente comprovada. Isso daria a impressão de que a comunidade científica como um todo, ou em sua maioria, apoiaria essa afirmação minha. Resolvi então fazer uma exposição mais técnica sobre o assunto, nos termos abaixo:

O meu posicionamento a respeito dos principais temas psi (parapsicológicos), dentro do meu conhecimento, são: 

Nota Especial: tanto o colega Wellington Zangari (doutor em psicologia e pesquisador parapsicológico com um posicionamento mais, digamos, "materialista") quanto o colega Vitor Moura (engenheiro e estudioso-pesquisador do espiritismo e mediunismo em geral, que abraça uma visão mais a favor da hipótese da existência e sobrevivência pós-morte do espírito) me recomendaram fortemente não usar o termo "telepatia" e sim percepção extra sensorial (ESP, extrasensorial perception, ou GESP, general extrasensorial perception). Eles alertam que seria um termo mais tecnicamente correto à luz dos dados disponíveis, ou seja, mais defensável.


A- Telepatia:
cientificamente comprovada através dos experimentos Ganzfeld. Isso não é aceito pela maioria da comunidade científica mundial, e mesmo muitos pesquisadores psi acham que ainda é necessário mais experimentos para embasar tal posição de que a telepatia estaria cientificamente comprovada. Minha posição se baseia no base de dados dos experimentos Ganzfeld, conforme exposta pelos artigos nos links abaixo:

- Bem, D. J., Palmer, J., Broughton, R. S. (2001). Updating the Ganzfeld Database: A Victim of Its Own Success?, Journal of Parapsychology, 65, 000-000. Neste Link.

- ESP in the Ganzfeld. Analysis of a Debate. John Palmer. Journal of Consciousness Studies, 10, number 6 - 7, 2003. pp. 51-68. Neste Link.

Também a tabela indicada neste link é interessante, e os longos textos neste link extraídos de minha participação no fórum Ceticismo Aberto.

E para os interessados em teorizações a respeito do mecanismo da telepatia, sugiro o artigo de 2004 neste link. Não por eu achar que ele esteja certo. Mas sim por ser um exemplo do tipo de exploração hipotética que devemos fazer diante de tais anomalias.

- Para uma avaliação cética de qualidade, sugiro este link do Skeptical Report, com material escrito por Andrew Endersby. Eu mesmo, há mais ou menos um ano atrás (escrevo esse parágrafo em novembro de 2007), contactei o autor não apenas para parabenizá-lo pelo exaustivo trabalho como também para tentar colocá-lo em contato com Dean Radin. Falei com Radin sobre o trabalho de Endersby, e um ponto que Radin assinalou é que o trabalho não havia sido revisado por ninguém ainda. Seria então interessante que Endersby tentasse publicá-lo em revista peer reviewed (revisada por pares). Pretendo um dia tentar estimular Endersby a fazer isso. Outro ponto que Radin assinalou é que o resultado da meta-análise de Endersby também aponta um desvio estatístico significativo, a favor da hipótese "telepática" conseqüentemente. Endersby, contudo, sugere hipótese alternativa.

B- Premonição: aparentemente caminhando para o status de "cientificamente comprovada". Isso devido a experimentos de Dean Radin, Dick Bierman, e Daryl Bem, em especial um novo protocolo experimental chamado de "Precognitive Habituation" (detalhes neste link, e neste link). Há contudo resultado negativo obtido pelo pesquisador psi Richard Broughton. Broughton, Radin, e Bierman usam uma metodologia similar. Daryl Bem usa uma metodologia diferente. O artigo de Broughton de 2004, com resultado negativo, pode ser visto neste link. E o de Radin, também de 2004, com resultado positivo, pode ser visto neste link.

C- Clarividência: indicações interessantes da sua existência. Há estudos feitos no Pear (Universidade de Princeton) sobre isso.

D- Psicocinese sobre sistemas sub-microscópicos (micro-PK): indicações fortes da sua existência, estando tais estudos contudo atualmente na berlinda, devido a graves falhas nas tentativas de reprodução dos experimentos. Há estudos feitos no Pear (Universidade de Princeton) sobre isso. Um dado curioso é que bem recentemente, em 2003, um crítico desse tipo de estudo, o físico Stanley Jeffers, obteve resultado positivo em experimento por ele conduzido (!), e relatou isso em artigo disponível neste link. Jeffers é muito citado pelos céticos que gostam de dizer como PK não existe. Agora que até ele começa a obter resultados favoráveis, a coisa fica um pouco complicada para os céticos...

E- Psicocinese sobre sistemas macroscópicos (macro-PK): indicações fracas de sua existência. Há estudos feitos no Pear (não muitos, creio) sobre isso.

F- Vida pós morte: indicações minimamente sugestivas de que há algum tipo de sobrevivência, e mesmo de reencarnação. Tal sobrevivência talvez (talvez!) não seja de longa duração, limitando-se ao invés a poucos anos, ou décadas, por exemplo. Tais indicações podem ser claramente classificadas, como diria o próprio Carl Sagan em 1995, como "fracas e dúbias". E além disso, elas não nos fornecem uma boa base para identificarmos exatamente o quê estaria reencarnando e/ou sobrevivendo à morte. Isso quer dizer que pode ser que haja a sobrevivência à morte de algo que "pareça" ser você mas que na verdade não é você. Ou seja: a rigor, não há evidências (ou: não me parece haver evidências) que devam ser interpretadas como sugestivas de que você (o seu Eu e a sua consciência e experiência subjetiva) de fato sobreviverá à sua morte! Para aqueles que abraçam a fé materialista, talvez seja prudente continuar assim...