Foto: E. Barroux





Foto: L. Rosa




O AUTOR NA PRAÇA
Comemora seu 9º aniversário e
os seis anos do Jornal da Praça
Com o lançamento dos livros
Homens de Papel e Balada de um Palhaço de Plínio Marcos pelo
Coletivo Dulcinéia Catadora
No mês que se comemoram os
nove anos do projeto O Autor na Praça e seis anos do Jornal da
Praça, recebemos o Coletivo Dulcinéia Catadora com o lançamento de novas
edições dos livros Homens de Papel e Balada de um Palhaço do
dramaturgo e escritor Plínio Marcos, padrinho do projeto (começou com ele em
maio de 1999). Os livros serão publicados no catálogo do Dulcinéia Catadora,
formado por catadores, seus filhos e colaboradores, que produzem os livros
artesanalmente utilizando material reciclado. Trata-se de um evento muito
especial por conta da publicação dos textos de Plínio pelo Dulcinéia Catadora
e sua proposta de inclusão através da arte e literatura, especialmente o
título Homens de Papel, que retrata o universo de um grupo de catadores
de papel, segmento excluído pela sociedade. Os direitos dos textos foram
autorizados por Kiko Barros, filho e responsável pela obra de Plínio. Além do
lançamento acontecerão leituras e performances com a participação de
integrantes do Coletivo Dulcinéia Catadora, Kiko Barros, Marco Antonio
Rodrigues do
Galpão Folias D’Arte,
amigo de Plínio e integrante do Grupo O Bando, diretor da primeira
montagem de O Assassinato do Anão do Caralho Grande, Carlos Costa
(Carlão da Vila, o General da Banda da cidade de São Paulo), ator e amigo de
Plínio e integrante do grupo O Bando, Presidente da Banda Redonda e um
grande defensor e historiador do carnaval e do samba, o mágico e palhaço
Pariat Frota Yepez, o ator Carlos Maravilha, a escritora e pesquisadora do
circo
Verônica Tamaoki,
o
Grupo Disritmia Cênica
em cartaz no Teatro Augusta com a peça Mancha Roxa de Plínio Marcos, o
poeta Augusto do Sarau do Cooperifa, o cartunista
Junior Lopes
e outros convidados.
Para completar a comemoração,
na mesma tarde, o cartunista e caricaturista
Paulo Caruso
e o artista do graffiti
Eduardo Kobra
estarão finalizando um painel no muro/fachada da sede da Associação dos Amigos
da Praça. Trata-se de uma charge de Paulo Caruso retratando a feira, com
destaque para o patrono da praça: o pintor Benedito Calixto.
Saiba mais:
O Autor na Praça,
Jornal da Praça,
Plínio Marcos,
Dulcinéia Catadora
ou ao final deste release.
Serviço:
O Autor na Praça comemora seu 9º aniversário e seis anos do Jornal da Praça com o lançamento de livros do Plínio Marcos pelo Coletivo Dulcinéia Catadora e leituras.
Espaço Plínio Marcos – Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto – Pinheiros
Dia 31 de maio de 2008, sábado, a partir das 14h.
Informações: Edson Lima - Tel. 3746 6938 / 9586 5577
Realização: Edson Lima, Jornal da Praça e Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto.
Parceiros:
Coletivo Dulcinéia Catadora,
Max Design,
Restaurante Consulado Mineiro,
Cantinho Português e Bar do Jeová.
Sobre o Dulcinéia Catadora
- É um coletivo que edita livros com capas de papelão; conta com a
participação da artista plástica Lúcia Rosa, catadores e de filhos de
catadores, entre eles Andréia Ribeiro, os irmãos Marlon e Peterson Emboava e
escritores. Participam também das oficinas adolescentes recém-saídos da rua,
temporariamente abrigados no Lar Harmonia e Arte. Colaboram com o coletivo
Carlos P. Rosa, Rodrigo Ciríaco e Douglas Diegues.
O coletivo acredita que a
convivência entre pessoas com origens, atividades, experiências e visões de
mundo diversas, é benéfica e enriquecedora para todos. Visa à valorização dos
catadores, à inclusão social, procura abrir novas possibilidades de atividades
profissionais, desenvolver o potencial artístico dos participantes.
Ressalte-se que, antes de gerar renda, essas atividades no atelier promovem a
auto-estima, a troca de experiências, geram o prazer de criar. A oficina é um
espaço aberto, um ponto de encontro. A divulgação de autores pouco conhecidos
é outro objetivo fundamental do projeto.
O coletivo derivou do Eloísa
Cartonera, um grupo que iniciou suas atividades na Argentina há quatro anos,
reconhecido em vários países por sua atuação artística e social, e convidado
para participar da 27ª Bienal de São Paulo. Apresentou-se no pavilhão como uma
oficina em funcionamento permanente. Ao grupo argentino somou-se a
participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros. Lúcia
Rosa, que já trabalhava com catadores de papel, entrara em contato para
conhecer o projeto Eloísa Cartonera no início de 2006. Por e-mail, a troca de
idéias fluiu com um dos fundadores do projeto, Javier Barilaro, acerca das
possibilidades da estética relacional, reforçando para ambos a validade dessa
postura artística. Quando o Eloísa veio para a Bienal reproduzir sua oficina,
tal como funcionava em Buenos Aires, foi solicitada a colaboração da artista
brasileira pela curadoria da Bienal, por sugestão do grupo argentino. O
contato e a parceria com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis
tornaram possível a seleção de adolescentes filhos de catadores, das várias
cooperativas existentes em São Paulo, para participarem da oficina. Após a
Bienal surgiu seu projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que começou a funcionar
no Brasil a partir de 2007, estreando suas atividades com a publicação de
Sarau da Cooperifa, uma coletânea de poetas da periferia que se reúne às
quartas-feiras no Bar do Zé Batidão. Paralelamente, dois painéis foram
montados pelo grupo brasileiro, e com a participação de Javier Barilaro, no
SESC Pompéia, inaugurando a atuação artística do grupo com essa intervenção,
logo seguida por mais uma participação na Virada Cultural do Estado, com uma
intervenção urbana na cidade de Sorocaba. Seguiu-se a publicação de Cátia,
Simone e Outras Marvadas, poemas de Sebastião Nicomedes, ex-morador
de rua, importante voz junto à representação de vários movimentos sociais.
Lançamos também Vera do Val, que acaba de publicar dois livros infanto-juvenis
pela Martins Fontes e escreveu Os Filhos do Marimbondo, uma coletânea
de contos baseados em pesquisa por ela feita de relatos de lendas indígenas da
Amazônia. É um título valioso por resgatar nossas raízes culturais, um aspecto
que consideramos importante.
Dulcinéia Catadora é um
projeto de escultura social, isto é, a sociedade percebida como uma escultura
que pode ser modelada para melhor. Os livros publicados são literatura de
autores da América Latina. Alguns títulos divulgados pelo projeto já faziam
parte do catálogo do Eloísa Cartonera, como O Anjo Esquerdo da Poesia,
de Haroldo de Campos, Delírios Líricos, de Glauco Mattoso, e
Chuvosos, de Wilson Bueno. Por ocasião da Bienal de São Paulo Manoel de
Barros, poeta renomado autor de vários livros de poesia, presenteou o grupo
com Auto-retrato aos 90 anos.
Os autores novos são
selecionados pela qualidade literária de suas obras, privilegiando-se
conteúdos de caráter social, político, que de algum modo dêem voz às minorias.
A irreverência, o questionamento de valores sociais, o tratamento de temas
ainda considerados tabus em pleno século vinte e um são outros aspectos
presentes na maioria das obras publicadas pelo projeto.
Dulcinéia Catadora é o quarto
projeto criado na América Latina: além do Eloísa, existe um núcleo no Peru, o
Sarita Cartonera, e o Yerba Mala, na Bolívia. Os grupos mantêm contato, e
sempre que há interesse os títulos poderão ser traduzidos do português para o
espanhol e vice-versa. Esses projetos-irmãos possibilitam a divulgação dos
novos autores por toda a América Latina, trabalhando na contramão do mercado
editorial, abrindo seus próprios caminhos paralelos na história da literatura
latino-americana.
Títulos Publicados
Almandrade - Malabarismo das Pedras / Antonio Miranda - S. Fernando Beira-Mar / Camila do Valle - Roubei e Engoli um Colar / Carlos Pessoa - Rosa Não Sei Não / Christian De Napoli - Palitos e Picolés / Douglas Diegues - Uma Flor/Rocio / Glauco Mattoso - Delírios Líricos e A Bicicleta Reciclada / Haroldo de Campos - O Anjo Esquerdo da Poesia / Índigo - A Minhoca Eulália e Outras Histórias / Jorge Mautner – Susi / José Geraldo Neres - Pássaros de Papel / Lau Siqueira - Aos Predadores da Utopia / Luis Chaves - Anotações para uma Cúmbia / MaickNuclear - Meu Doce Valium Starlight / Manoel de Barros - Auto-retrato aos 90 anos / Marcelino Freire – Sertânias / Marcelo Ariel - Me Enterrem com a Minha AR 15 / M. D'Ávila e V. do Val - Do Nada ao Infinito / Oswaldo Reynoso - Cara de Anjo / Poetas da Cooperifa – Sarau / Ronaldo Bressane - Corpo Porco Alma Lama / S. Nicomedes - Cátia, Simone e Outras Marvadas / Vera do Val - Os Filhos do Marimbondo / Virgínia de Medeiros - Studio Butterfly / Whisner Fraga - O Livro dos Verbos / Wilson Bueno - Chuvosos