Machado de Assis
FLAGRANTES DA REESCRITURA
MACHADIANA DA TRADIÇÃO CATÓLICATherezinha Zimbrão
Em Matraga nº12, 2º semestre de 1999.
Este ensaio constitui-se como um pequeno recorte de uma proposta maior de análise do diálogo de Machado de Assis com a tradição religiosa em termos da sua reescritura. Neste recorte, analisaremos um dos momentos mais expressivos da reescritura machadiana desta tradição, que é o momento representado pelo diálogo de Machado de Assis com o catolicismo nas páginas iniciais de Esaú e Jacó. Ora, esse romance justamente concentra, então, um conveniente número de alusões à religião católica, além de concentrar, ainda no próprio título, a alusão maior. Nossa proposta é, desde já, confirmar que a tradição religiosa é em maior ou menor grau modificada quando reescrita por Machado de Assis e interpretar tais modificações como sendo conseqüentes do processo de atualização dessa tradição para um outro contexto muito distinto do contexto original.
Nas páginas iniciais do romance Esaú e Jacó lemos sobre a consulta de uma dama da alta sociedade fluminense do segundo oitocentos a uma popular adivinha. Essa dama de nome Natividade, acompanhada da sua irmã Perpétua, saíra da sua casa no elegante bairro de Botafogo e subia, magoando os pés no “íngrime”, “desigual” e “mal calçado da ladeira”, ao suburbano Morro do Castelo. Afinal, era lá no alto, em uma casa a ser alcançada por uma “escadinha estreita” e “sombria”, que reinava a adivinha tão consultada por todos. E é o próprio pai desta quem vemos receber Natividade e Perpétua, que são em seguida apresentadas à filha: uma moça muito jovem de nome Bárbara.
Ora, principiemos por notar o quanto essa nomeação revela-se sugestiva em termos do diálogo machadiano com a religião católica se considerarmos a história desta Bárbara como reeescritura da história de uma outra Bárbara: a da santa católica que foi trancada no alto da torre de um castelo por seu pai pagão por ter se convertido ao cristianismo e aos seus milagres1. E de fato, nos tempos em que o paganismo ainda era a religião oficial, um romano, ao descobrir que a sua filha praticava uma religião marginal, decidiu por isolá-la do convívio de todos.
Na tradução desta história para o contexto brasileiro do oitocentos importava considerar que o catolicismo havia sido há muito tempo elevado à condição de religião oficial. É compreensível, portanto, que Bárbara, como praticante de uma crença marginalizada, seja nesta versão machadiana uma popular adivinha e não mais uma mártir católica. E, de fato, vemos santa Bárbara, filha de um romano pagão, moradora de um castelo, transformar-se, então, na adivinha Bárbara, filha de um simples homem do povo, moradora do suburbano Morro do Castelo.
Quanto ao pai, ao saber dos poderes milagrosos da filha, não mais a condena ao isolamento em uma torre como na história original. Não sendo rico, precisando ganhar dinheiro e vivendo em tempos modernos cada vez mais seculares, esse outro pai decide por tirar proveito econômico das adivinhações da filha. Assim, vemo-lo abrir com cortesia as portas da sua respectiva “torre”, situada bem lá no alto deste outro “Castelo” e receber ele mesmo a clientela de quem cobra modernamente a consulta.
Ora, essas modificações entre o original e a versão são sugestivas do quanto Machado de Assis na sua reescritura submeteu a história da jovem Bárbara a um processo constante de atualização. Tanto que a história “sublime” e “sagrada” de uma santa católica transforma-se na história moderna, “prosaica” e “profana” de uma adivinha que vive de cobrar por seus milagres. Comparece, portanto, na versão machadiana, o registro do importante índice de modernidade representado pela secularização da tradição religiosa. Um processo já bem avançado no oitocentos e do qual nem mesmo o Brasil, um jovem país que persistia como sendo dos mais místicos, conseguira escapar.
Notemos que a persistência do misticismo brasileiro, um índice da nossa identidade cultural, comparece registrada em termos não só na fé dos clientes que consultavam o oráculo, como também na sinceridade de pai e filha. Afinal, em nenhum momento esses personagens são descritos de modo a sugerir qualquer traço de hipocrisia, nem mesmo no detalhe secular da cobrança da consulta.
Mas notemos ainda que esse misticismo está sendo também considerado na forma do sincretismo religioso-racial do país, um outro índice da nossa identidade cultural que Machado de Assis também veio registrar nessas páginas iniciais de Esaú e jacó. A começar pelo fato de vermos uma senhora católica consultar uma adivinha, que, por sua vez, vem a ser uma cabocla, a qual tem o mesmo nome de uma santa do catolicismo do branco europeu, sendo que essa santa Bárbara é justamente uma dentre aquelas a ter um correspondente sincrético na religião afro-brasileira: o orixá Iansã. E, para terminar, vemos ainda que esta adivinha cabocla usa um raminho de arruda (uma espécie de amuleto contra má sorte difundido particularmente entre os negros), além de catolicamente conservar o retrato de Nossa Senhora da Conceição na própria parede do cômodo onde realiza o ritual oracular que será suprido com a fumaça do cigarro que ela acende e com a cantiga de temática africana cantada na viola pelo pai também caboclo.
Assim, se é verdade que nesta reescritura machadiana da história da jovem Bárbara a secularização está sendo considerada, também é verdade que o persistente misticismo local não o está menos. Ambos são postos em contraditória convivência e notemos que terminam por se atenuar reciprocamente. Afinal, nem o tom secular, nem o místico dominam de todo a cena.
Notemos ainda que Machado de Assis está esboçando daí o quadro cultural de um Brasil que não é tão católico, nem tão branco como então se queria, um quadro onde estamos vendo esses elementos europeus, identificados à cultura oficial, comparecerem em sincretismo com a marginalizada cultura popular. O seu texto assume, portanto, raízes até então “inconfessadas” da identidade cultural brasileira, o que demonstra a dimensão crítica do pensamento machadiano em relação às idéias dominantes no Brasil do oitocentos.
Todavia, a história de santa Bárbara não é a única a ser reescrita por Machado de Assis. O próprio título do romance, Esaú e Jacó, sugere que esse seja lido como reescritura da história dos gêmeos bíblicos. E eis que o momento mais expressivo desta reescritura comparece justamente nestas páginas machadianas iniciais, pois é quando vemos Natividade, ao consultar o oráculo da adivinha, ouvir a decisiva profecia sobre o futuro de seus filhos, também gêmeos, nascidos há pouco mais de um ano.
Mas lembremos antes a história original de Esaú e Jacó: Isaque, tendo orado a Deus por sua mulher estéril, teve suas preces atendidas e Rebeca deu, então, à luz os gêmeos Esaú e Jacó. Durante a gravidez, ao sentir que “os filhos lutavam no ventre dela”2, a futura mãe decidiu consultar o Senhor, que a esclareceu com uma profecia a respeito de dois povos rivais que dela iam nascer e que desde o ventre já brigavam pelo direito à primogenitura.
Ora, na tradução dessa história para o contexto brasileiro do oitocentos, algumas modificações significativas se impuseram. De fato, principiemos por notar que Rebeca pode consultar o próprio Senhor sobre o futuro de seus filhos, enquanto Natividade teve que recorrer a uma adivinha. Machado de Assis parece ter considerado que, diferentemente dos tempos bíblicos, nos tempos modernos, cada vez mais seculares, Deus já não falava mais diretamente ao seu povo, tornando-se necessário, portanto, na profana reescritura desse episódio da Sagrada Escritura, oferecer à Natividade a intermediação pouco bíblica e muito mais pagã de um oráculo. Afinal, essa era uma modificação em relação ao texto original que estava em perfeito acordo com a religiosidade sincrética do povo brasileiro e de sobra, possibilitava ainda a aproximação machadiana (que já descrevemos em um trabalho anterior3) com a tradição oracular na forma de uma adivinha cabocla relacionada pelo narrador à Pítia grega. Assim, secularização de um lado e sincretismo religioso de outro são dois importantes índices da moderna identidade brasileira, que vemos serem constantemente registrados por Machado de Assis nesta sua reescritura.
Notemos que uma outra significativa modificação em relação ao texto original comparece no detalhe de a consulta de Natividade ser posterior ao nascimento dos gêmeos, enquanto a consulta de Rebeca havia sido anterior. Como vimos, é porque Rebeca sente os filhos lutando no seu ventre que recorre ao Senhor. Quanto à Natividade, ela também sentira “movimentos extraordinários, repetidos, e dores, e insônia”4, mas nos tempos modernos era o caso de se recorrer a um médico e não a um oráculo. A reescritura machadiana parece, então, considerar que a gestação já se tornara no oitocentos um assunto para a medicina. Explicações metafísicas sobre os sofrimentos físicos da gravidez destoavam do secular espírito positivista.
Além do mais, parece ter sido também considerado que essa outra mãe, uma dama da mais alta e moderna sociedade fluminense, tanto se ressentiria por causa dos bailes e festas de que se veria obrigada a se privar, que diferentemente da mãe bíblica, somente iria se preocupar com o futuro dos filhos a ponto de consultar um oráculo depois que estes nascessem. E de fato, lemos que a primeira sensação de Natividade foi a de que a gravidez iria “deformá-la por meses, obrigá-la a recolher-se, pedir-lhe as noites, adoecer dos dentes e o resto”5, seu amor materno só veio a ser despertado de todo muito depois. Vemos, portanto, que nesta reescritura machadiana, os sentimentos da mulher em relação à maternidade foram também atualizados do contexto bíblico para o contexto moderno.
Notemos, por fim, as modificações a que a própria profecia veio a ser então submetida. Ora, lemos nessas páginas iniciais de Esaú e Jacó que Natividade só conseguiu tirar da adivinha palavras vagas relativas a “cousas futuras”, tais como:
“Serão grandes, oh! grandes! Deus há de dar-lhes muitos benefícios. Eles hão de subir, subir, subir...Brigaram no ventre de sua mãe, que tem? Cá fora também se briga. Seus filhos serão gloriosos. É só o que lhes digo. Quanto à qualidade da glória, cousas futuras!”6
Já o Senhor foi bem mais preciso em sua profecia. Tanto que quando diretamente consultado por Rebeca, respondeu Ele:
“Duas nações há no teu ventre
Dois povos nascidos de ti se dividirão:
um povo será mais forte que o outro,
e o mais velho servirá ao mais moço.”7
Mas, mesmo diferindo em objetividade, o fato é que cada uma destas profecias veio a ser objetiva o suficiente para atender a pergunta que dentro de si traziam estas duas mães tão distantes no tempo e no espaço. De fato, à Rebeca, uma mãe dos tempos bíblicos, preocupava saber qual dos filhos gêmeos, dado o costume da primogenitura, seria grande e glorioso, ou seja, receberia a benção do marido e o direito de ser o primogênito - no que ela foi prontamente atendida com a revelação divina da própria inversão do costume: o que nascera primeiro, Esaú, serviria Jacó, que nascera depois.
Quanto à Natividade, sua preocupação pelos filhos veio a se dar diferentemente a de Rebeca. Afinal, Natividade era uma mãe dos tempos modernos, dos tempos de democracia e de igualdade de todos - ou quase todos, considerando o caso do Brasil escravocrata. Machado de Assis parece ter considerado na sua reescritur que, estando o costume da primogenitura já quase abandonado, não seria suficiente à Natividade o antigo benefício de um único filho, mas somente a moderna grandeza democrática dos dois - no que também esta outra mãe foi prontamente atendida com a revelação de que ambos os seus filhos seriam grandes e gloriosos.
Notemos ainda que Natividade, de tão contente com parte da profecia, não deu de imediato importância à outra parte, ou seja, a de que os gêmeos cá fora também brigariam. Afinal, esta informação não era muito útil para as ambições maternas dentro de um contexto moderno tão diferente do bíblico. Já no Gênesis vemos Rebeca, diferentemente de Natividade, manter bem viva em sua memória essa parte da profecia, inclusive ajudando o mais novo a se fazer passar pelo mais velho e assim conseguir astutamente do pai a bênção da primogenitura.
Ora, essas modificações entre o texto original e a versão machadiana são sugestivas do quanto o escritor brasileiro veio a atualizar essas páginas da Bíblia na sua reescritura oitocentista. Tanto que vemos a história “sublime” e “sagrada” da discórdia bíblica entre dois irmãos transformar-se então na história “prosaica” e “profana” da discórdia moderna entre dois irmãos. Na verdade, ao escrever o seu romance a partir da reescritura de páginas tão tradicionais como as da Bíblia, Machado de Assis consegue o interessante efeito de atenuar o prosaísmo da sua história. Afinal, nada como o prestígio que um retoque “sublime” e “sagrado” pode dar a um moderno quadro “prosaico” e “profano”.
Mas a Bíblia não é o único livro que comparece sensivelmente atualizado da tradição católica para o contexto de Esaú e Jacó: ao antiquíssimo capítulo do Gênesis vemos somar-se ainda, concentrados nestas páginas machadianas iniciais, alguns dos versos da medieval Divina Comédia, a começar pela própria epígrafe do romance, “Dico che quando l’anima mal nata...”, uma apropriação do canto V do Inferno dantesco8. Notemos que esse verso comparece em Dante como uma alusão ao determinismo religioso e metafísico prestigiado na Idade Média: o da predestinação divina. Segundo este determinismo, já estava decidido antes mesmo do nascimento, a salvação ou não de uma alma. Ao ser apropriado para o contexto brasileiro positivista e escravocrata do final do oitocentos, o mesmo verso passa a aludir a um outro determinismo, desta vez científico e materialista, muito mais atual e de maior prestígio na Idade Moderna: o da raça. Segundo este outro determinismo, por ter nascido negro, um corpo estava condenado à servidão.
Notemos que Machado de Assis, ao colocar esta epígrafe em um livro cuja autoria entrega ao diplomata e conselheiro Aires, está explicitando os preconceitos sociais da classe dominante brasileira. Trata-se na verdade, como diria Roberto Schwarz, de “um livro escrito contra o seu pseudo-autor”9.
Eis que algumas páginas depois desta epígrafe dantesca lemos que, terminada a consulta oracular reveladora do destino grandioso dos gêmeos, as duas senhoras, muito contentes, desceram rapidamente o Morro do Castelo, descobrindo, então, que esse morro que elas haviam subido tão penosamente, como se fosse mesmo uma penitência, era na verdade, “melhor de descer que de subir”10.
Ora, se lemos em Esaú e Jacó sobre o Morro do Castelo, a ser subido penitenciosamente, na Divina Comédia lemos sobre um outro Morro, o próprio Purgatório, a ser também subido como penitência. Só que ao contrário do morro machadiano, que já sabemos ser “melhor de descer que de subir”, no morro dantesco o melhor é a subida pois, segundo Dante, ali “quem mais sobe acha menos resistência”11. Vemos, portanto, que o título do segundo capítulo de Esaú e Jacó, “melhor de descer que de subir”, admite-se como uma inversão do verso dantesco “quem mais sobe acha menos resistência”12.
Esta inversão é sugestiva do quanto a reescritura machadiana, ao procurar as atuais proporções na tradução do sagrado Morro do Purgatório no profano Morro do Castelo, veio então a modificar o texto original. A ultrapassada metafísica medieval de Dante é substituída pela física moderna de Newton que ao considerar a gravidade desautoriza o verso dantesco e autoriza a versão machadiana de que é mais fácil para um corpo a descida do que a subida. Principalmente se, segundo o narrador, esse “corpo” estava apreensivo ao subir e alegre ao descer.
Realmente, lemos que esse “corpo” estava de tal modo alegre com a profecia, que, ao ouvir alguém pedir a esmola para a missa das almas, deitou à bacia do pedinte “uma nota de dois mil-réis, nova em folha (...) para as almas do purgatório”13. Essa cena da esmola, a princípio tão exemplar da piedade católica, por causa do profano detalhismo monetário com que é descrita, termina por ter a sua atmosfera mística diluída na financeira.
Notemos que a referência explícita ao “purgatório” é das mais sugestivas da aproximação entre o machadiano Morro do Castelo e o dantesco Morro do Purgatório. Notemos, também, que a referência explícita à “alma” admite-se como uma reiteração à epígrafe, embora ali sejam as almas do Inferno e aqui as do Purgatório. Mas lembremos que o positivismo da ciência oitocentista havia retirado a autoridade da teologia católico-escolástica em que fora baseada a obra de Dante. Em conseqüência, os limites estipulados pelo escritor entre o Inferno, o Purgatório e o Paraíso tornaram-se aquela altura ultrapassados e portanto, o que passa a importar de fato para esta reescritura moderna é que as almas vieram todas das páginas tradicionais da Divina Comédia. Vemos assim, Machado de Assis se servir constantemente do prestígio da tradição para atenuar o prosaísmo do seu romance.
Em suma, nesta nossa análise do diálogo machadiano com a tradição católica, confirmamos o quanto essa tradição, ao ser reescrita para um contexto moderno muito distinto do contexto original, veio a ser submetida a um processo constante de atualização.
1. A aproximação entre as histórias das duas Bárbaras já foi sugerida - em termos de influência e não de reescritura - por Helen Caldwell. In: Machado de Assis: The Brazilian Master and his Novels. Berkeley: University of California Press, 1970, p.177.
2. Gênesis 25.22.
3. SILVA, Teresinha V. Zimbrão da. “Machado de Assis e a Reescritura da Tradição Clássica”, comunicação apresentada na X Semana de Estudos Clássicos realizada na UFJF de 6 a 10 de outubro de 1997.
4. MACHADO DE ASSIS, J. M. Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, vol. I, p.949.
5. MACHADO DE ASSIS, J. M. Obra Completa, vol. I, p. 956.
6. MACHADO DE ASSIS, J. M. Obra Completa, vol. I, p. 950.
7. Gênesis 25.23.
8. DANTE ALIGHIERI. Inferno. Trad. Xavier Pinheiro. Rio de Janeiro: Ediouro, Canto V, linha 7.
9. SCHWARZ, Roberto. Machado de Assis: Um Mestre na Periferia do Capitalismo. São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1990, p. 78 (Schwarz refere-se às Memórias Póstumas de Brás Cubas, mas também afirma que o esquema é válido para todos os romances machadianos da chamada segunda fase).
10. MACHADO DE ASSIS, J. M. Obra Completa, vol. I, p.950.
11. DANTE ALIGHIERI. Purgatório, Canto IV, linha 90.
12. A aproximação entre as frases dantesca e machadiana já foi sugerida - em termos de influência e não de reescritura - por Helen Caldwell. In: Machado de Assis: The Brazilian Master and his Novels, p.167.
13. MACHADO DE ASSIS, J. M. Obra Completa, vol. I, p. 950.