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REDAÇÃO INQUIETA
Heliana Brina
Orelha do livro na 5ª edição
Tomemos uma situação corriqueira de nosso tempo: em uma prova de vestibular, um candidato necessita redigir um texto a partir de um ou mais temas propostos.
Agora, voltemos um pouco mais no tempo: quantas pessoas estão envolvidas na escolha – inquietante – da primeira à última frase desse texto? Desde os pais do aluno, ao escolherem a primeira escola para o filho, até os professores que os preparam para chegar ao vestibular, os que formulam provas, e os que as irão corrigir? Quantas vezes essa situação se repete, num mesmo ano, em fases diferentes do aprendizado? Quantas vezes vai se repetir ao longo dos anos? E por quanto tempo?
A resposta a tantos “quantas vezes” é simples: muitas. Muitas situações e muitas pessoas, formando uma rede de ações e idéias que, muitas vezes (infelizmente!), acabam por transformar essa redação iniciada a custo alto, definitiva e definidora do futuro de quem a escreve, numa redução a fórmulas preestabelecidas de textos.
A todas essas pessoas envolvidas no processo de formação do sujeito que escreve, este livro presta um grande serviço: o de inquietá-las e provocá-las a refletir sobre o envolvimento de cada indivíduo em escolhas filosóficas e ideológicas que acabam por definir um compromisso moral na produção de textos dos outros e de nós mesmos. “Todos estão comprometidos, queiram ou não, com as ações e redações de seu tempo” – diz o autor.
Em Redação inquieta, Gustavo Bernardo oferece-nos uma obra valiosa para a consciência de que redigir é dirigir-se a um tempo e nele agir, e influir...