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NOTAS SOBRE O REALISMO (trecho)
Sílvia Regina Pinto
Em Reviravolta, último romance publicado de Gustavo Bernardo, o leitor já pode, inclusive, vivenciar uma espécie de second life de narrador, onde a voz narrativa é um avatar, mais precisamente uma gárgula da torre da Catedral de Freiburg, na Alemanha, onde se esconde um programa de computador de ultimíssima geração, ainda que corrompido. Mas, a condição de inteligência artificial deste narrador não o torna menos inseguro, nem menos problemático, fazendo com que a memória “realista” que aflora no relato se perca nas reviravoltas que possibilitam que sombras e reflexos dos seres tomem o lugar dos próprios seres, misturando - nos tempos e nos espaços - várias últimas gerações de personagens, insinuando imagens capazes de produzir a si mesmas, ou, ainda, conforme o texto: “mundos artificiais que se possam observar enquanto eles mesmos se desenvolvem sozinhos”.