
Estudos Bíblicos
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Título: "Companheiros
Covardes" |
Introdução
A narrativa do beijo de Judas, da prisão de Jesus, e
da fuga dos discípulos em Marcos 14:43-52, para o leitor
desprovido do senso de inquirição profunda, não têm significação
muito importante. Entretanto, tudo o que se encontra nas
Escrituras tem grande valor, tem significado perfeito e exato, que
merece toda consideração: “Toda Escritura é inspirada por
Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção,
para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”- II Timóteo
3:16-17. Todos os acontecimentos ocorridos nos evangelhos, em
que a pessoa de Jesus Cristo esteja envolvida, merecem a nossa
especial reflexão. Os fatos acima referidos são graves, são sérios,
e são passíveis das punições divinas, devido a dimensão da
intolerância das autoridades religiosas, do entusiasmo dos
soldados e da turba no cumprimento daquela missão, da
infidelidade e covardia de Judas e dos discípulos no abandono do
Mestre. Este estudo não trata da austeridade e da intransigência das autoridades
religiosas contra o Messias, nem da euforia dos que saíram
armados com espadas, cassetes e tochas, cheios de ódio e violência,
invadindo o Getsêmani, aterrorizando e ameaçando a Jesus e seus
discípulos. O intento deste texto é expor resumidamente o detestável
procedimento de covardia, deslealdade, traição e perfídia, de
Judas e dos discípulos, com relação ao Senhor Jesus. O que
recebi do Senhor, conforme o dom que o Santo Espirito repartiu a
cada um de nós - Efésios 4:7, passo a quem tiver
interesse de examinar as Escrituras, e tirar dela o alimento que
tanto bem nos faz. A Covardia de Judas “E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre. E o beijou”- Marcos 14:45. Os principais sacerdotes, escribas e anciãos,
enviaram soldados e uma turba armada com espadas e cacetes,
liderados por Judas Iscariotes, que os levou ao lugar que ele
sabia que mui provavelmente Cristo poderia ser encontrado. Ao
chegarem ao Getsêmani, com suas armas em punho, Judas se
aproximou de Jesus e o beijou: “Ora,
o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é
esse; prendei-o, e o levai-o com segurança”- Marcos 14:44. Judas se vendeu corpo e alma ao diabo. Negociou o
Filho de Deus por trinta moedas de prata. Judas, foi o vendedor
mais indigno, o mais odioso, o mais desprezível, o mais vil, o
mais infame, de toda a história. O Cordeiro de Deus foi vendido
por trinta moedas de prata. Comércio sórdido! Troca mesquinha!
Negócio vergonhoso! Negociata suja e perversa! Desprezíveis
moedas! Dinheiro maldito! Pobre riqueza do inferno!... O Salvador do mundo foi avaliado em trinta moedas de
prata. A Pérola de maior valor universal foi vendida por preço
irrisório. Essa negociata suja e maldita, refletiu o desprezo do
sinédrio e de Judas para com o Senhor da Glória.
Aquelas peças de prata foi o lucro de um ósculo hipócrita,
que serviu para comprar os gritos da multidão: “Crucifica-O!
Crucifica-O!” Serviu para comprar a cruz, os cravos, a coroa de
espinhos, o vinagre e o fel, para que o Salvador do mundo pudesse
usar na sua morte! Serviu para comprar a soltura de Barrabás!
Serviu para comprar a covardia de Pilatos! Serviu para comprar a
zombaria da turba: “Se tu és o Filho de Deus desce da cruz!”
O lucro entre o preço de compra e o de venda, sem levar em conta
as despesas ocorridas entre as duas operações, serviu para selar
o destino eterno daqueles negociantes malvados no fogo do inferno. O Senhor Jesus Cristo foi ultrajado, difamado,
injuriado, insultado por um ósculo! O beijo da traição! O beijo
da entrega! O ósculo da hipocrisia e da falsidade! O beijo
maldito do artifício e do homicídio! Judas aproximou-se de Jesus
como um discípulo amigo – Marcos 14:45, não para dar uma abraço
de amor, de carinho, de gratidão; mas, para dar-Lhe o ósculo do
disfarce! O falso discípulo se apresentou com um rosto de anjo,
que encobria um coração de diabo. Judas, depois de desfrutar por
três anos da intimidade com Jesus e com os demais discípulos, se
revela perverso e covarde, traindo o Salvador do mundo. Isso
mostra até onde a natureza humana pode rebaixar-se!
O beijo foi a senha dada por judas à escolta armada,
para que Jesus fosse agarrado e preso. Foi o ato mais vil, o mais
infame, o mais detestável, o mais torpe, o mais abominável
registrado na história, que demonstrou a profundeza da depravação
humana. Todos concordam que Judas foi insensível, perverso,
desumano, ferino, cruel e covarde. Todavia, por incrível que nos
pareça, muitos que se dizem cristãos em nossos dias, vivem
atitudes à semelhança de Judas. Pregam amor, mas não amam o próprio
irmão. Amam quando tudo vai bem, havendo crises o amor
desaparece. Pregam unidade, mas vivem em desunião. Pregam a
separação do mundo, e fazem concessões. Pregam lealdade, e
vivem na covardia. Assim como Judas demonstrou
hipocrisia com um beijo traiçoeiro, de igual modo, muitos
que brandem a bandeira da fé, são fingidos, falsos, desleais e
mentirosos. Judas não foi o primeiro e nem o último homem a
proceder de maneira tão baixa, tão indigna, tão vergonhosa, tão
falsa, tão hipócrita, tão infame e tão criminosa. Judas não
foi o primeiro e nem o último homem que se vestiu de anjo para
encobrir sua natureza maligna. O mundo está cheio de lobos
vestidos de ovelhas. Desde o começo do mundo até hoje, existem
homens desumanos e covardes, com aparência de santos. Assim dizia
o Pe. Antônio Vieira: “Este mundo está cheio de hipócritas, e
quase todos são cirineus, que, levando a cruz, não morrem
nela.” A Covardia dos Discípulos “Então, deixando-o, todos fugiram”- Marcos 14:50 Momentos antes desses acontecimentos, os discípulos
foram chamados para estarem em oração com Jesus. Entretanto,
enquanto Jesus orava, os discípulos dormiam. Por isso, não
estavam devidamente preparados para encarar situações difíceis.
Um deles puxou da espada e cortou a orelha do servo do sumo
sacerdote. Essa atitude irrefletida, imprudente e violenta, foi a
demonstração clara do despreparo deles para resolverem situações
arriscadas. Entretanto, Jesus se demonstrou manso, calmo e
sereno, sem demonstrar sentimento de inquietação e covardia ante
a noção da morte que se aproximava. Confiante no cumprimento dos
eternos propósitos do Pai, sabendo que sua hora havia chegado,
repara o erro de Pedro curando milagrosamente a orelha do rapaz -
Lucas 22:51, repreendeu a violência de Pedro - Mateus 26: 52; e,
logo depois, entrega-se voluntariamente à prisão. Aquele que se
entregou de livre vontade à morte, para salvar os pecadores, nos
deu o exemplo da nossa entrega voluntária à morte com ele na
cruz. O Senhor Jesus percebeu
em tudo, o fiel cumprimento das profecias. Na hora da crise,
quando se viu abandonado pelos companheiros, a profecia do
salmista se tornou real: “Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não
há quem me acuda. Muitos touros me cercaram, fortes touros de Basã
me rodeiam”- Salmos 22:11-12. Ele sabia que o consolo divino
seria doravante sua única companhia. Diante das ameaças e pressões dos soldados e da
turba armada, os discípulos tiveram medo e fugiram. Esqueceram-se
das promessas que haviam feito algumas hora antes, de estarem
prontos a morrer com o Mestre – Marcos 14:31. Esqueceram-se de
tudo, menos do perigo que os ameaçava. O temor e a inquietação
prevaleceram, abandonaram o Mestre em debandada. A pior covardia
é o abandono do companheiro na hora da crise e do perigo.
Conta-se que dois amigos viajavam por uma floresta. De repente apareceu um urso. Um deles correu e subiu numa árvore. O outro não podendo correr, deitou-se no chão e ficou imóvel, como morto. O urso se aproximou, andou ao redor do falso morto, cheirou-o, bafejou-o, e foi embora. O covarde via tudo de longe! Ao descer da árvore, perguntou ao seu amigo: “O que é que o urso estava lhe falando?” O amigo respondeu: O urso me disse que aquele que abandona o companheiro na hora do perigo é um covarde. Foi exatamente isso, que os discípulos fizeram na hora em que Jesus foi preso. O Senhor Jesus foi provado de várias maneiras: A
malignidade dos planos satânicos, a intransigência das
autoridades religiosas, a euforia dos guardas e da turba armada no
cumprimento daquela missão, a traição de Judas, a covardia dos
discípulos. Todavia, diante de toda aquela turbulência, Jesus
permaneceu tranqüilo e sereno. Ele sabia que a Escritura estava
se cumprindo em tudo: “Eis
que vem a hora, e já é chegada,
em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e me
deixareis só; contudo não estou só, porque o Pai está
comigo”- João 16:32. A fuga dos discípulos já estava prevista. O propósito
do Pai é que os discípulos ficassem fora do sacrifício de
Cristo. O Senhor Jesus fez um pedido àqueles que vieram prendê-Lo,
e foi atendido: “Se é a
mim, pois, que buscais, deixai ir estes; para se cumprir a palavra
que dissera: Não perdi nenhum dos que me destes”- João 18:8-9.
Ao ouvirem estas palavras do Mestre aos que vieram prendê-Lo, os
discípulos fugiram, com exceção de Pedro, que foi seguindo ao
Senhor de longe – Marcos 14:54. A Escritura fala ainda de outro seguidor de Jesus,
que também acabou fugindo:
“Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe
a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo”- Marcos
14:51-51. Esta resumida história que se encontra somente no
evangelho de Marcos, aparentemente sem importância, oferece lições
alegóricas significativas, para a nossa vida cristã. Aquele moço tendo acordado com o alvoroço da prisão
de Jesus, saiu depressa da cama e da casa onde estava, envolvido
apenas em um lençol, pois não teve tempo de se vestir. No meio
do tumulto dos discípulos fugindo diante da perseguição da
turba, esse moço foi agarrado, mas, escapando, deixou o lençol e
saiu desnudo. Segundo alguns autores, esse moço era o próprio
Marcos, escritor do Evangelho, visto ser ele o único evangelista
a narrar este fato.
A seguir, esta oportuna lição em sentido alegórico: Aquele que se propõe seguir a Cristo sem o devido “revestimento do novo homem” - Colossenses 3:10, resultará em fuga desnudo e envergonhado. Conclusão Muitos daqueles que se intitulam cristãos, fazem o
mesmo que os discípulos fizeram! No entusiasmo do momento, depois
de participarem da comunhão, ou de ouvirem uma pregação eloqüente,
muitos prometem que jamais negarão o nome de Cristo! Entretanto,
passados alguns dias, sobrevindo crises, ao invés de
testemunharem a fé no Salvador, esquecem-se de tudo, e O
abandonam! Todo o mundo reconhece a perversidade, a crueldade e
a frieza de Judas com relação ao seu Mestre. No entanto, muitos
que se intitulam cristãos em nossos dias, procedem da mesma
maneira: negam a fé no Salvador por motivos banais. Assim como Judas simulou amor com seu beijo infiel,
de igual modo, muitos que brandem a bandeira da fé, são também
falsos, desleais, traidores, infiéis, desumanos e cruéis. Afinal de contas, de que lado você está, ao lado de
Jesus ou ao lado de Judas? Muitos dizem que estão do lado de
Jesus; mas, suas vidas mostram que estão do lado de Judas. E você? De qual lado você está? Pense bem!... Muitos dizem ser fiéis ao Senhor; mas, havendo reveses, fogem em debandada! E você? Que pretende fazer na hora da crise; lealdade ou covardia? COMPANHEIRO
COVARDE Certo passarinheiro estendia as redes E lançava trigo para a chamariz. Em breve a chama no ardil armado, Incita as aves a picar os grãos, Ficando um macho de calhandra enredado. Os companheiros alarmados fogem lestos, Afastando por um pouco do perigo. Entremetes, dormia o passarinheiro, Quando a fêmea do cativo volta e pica a rede E conseguiu desvencilhar o companheiro. Ao despertar o indolente caçador, Observou os destroços na armadilha. Depois de tudo novamente arrumado, Derrama de novo a isca lá na rede E espera de volta o bando alado. Desta vez uma calhandra menos cauta, Sente o pé enleado e bate as asas. Ao ouvir do caçador contestes ais, Os companheiros incluso o macho fogem, Levantam voou e não regressam mais. Naquele instante de infernal tortura, A pobre ave presa na armadilha; Quando às pressas surge o passarinheiro, E mata a calhandra abandonada, Sem a mínima ajuda do companheiro. Veja como procedeu o sexo masculino, Em face da fiel atitude do outro sexo! Ao cair na rede o macho, a fêmea o salvou; E esta, sendo vítima de igual desgraça, O macho indiligente, então se acovardou. Brasília, Outubro de 2002. |